Inteligência dos EUA indica que guerra não atrasou programa nuclear do Irã, diz agência

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Os Estados Unidos avaliam que o tempo necessário para o Irã produzir uma arma nuclear não mudou desde o ano passado, mesmo após meses de guerra. As informações foram reveladas nesta segunda-feira (4) pela agência Reuters, que ouviu três fontes com acesso a relatórios de inteligência.
A estimativa segue em até um ano, prazo que já havia sido estendido depois de ataques americanos e israelenses em junho de 2025. Diante disso, os Estados Unidos avaliam a possibilidade de conduzir operações arriscadas para frear o programa nuclear iraniano.
Segundo as fontes, as análises sobre o programa do Irã permanecem praticamente as mesmas, apesar do conflito iniciado pelo presidente Donald Trump com o objetivo, em parte, de impedir o país de desenvolver uma bomba.
Os ataques mais recentes conduzidos pelos Estados Unidos, iniciados em 28 de fevereiro, miraram principalmente alvos militares convencionais. Israel, por sua vez, atingiu algumas instalações nucleares relevantes.
O fato de o prazo não ter mudado indica que, para frear de forma significativa o programa nuclear iraniano, seria necessário eliminar ou retirar o estoque restante de urânio altamente enriquecido do país.
Antes de junho de 2025, a inteligência americana avaliava que o Irã poderia produzir material suficiente para uma bomba em três a seis meses. Após ataques a instalações nucleares, esse prazo foi ampliado para algo entre nove meses e um ano, segundo fontes e uma pessoa com conhecimento das análises.
Os bombardeios de junho destruíram ou danificaram as três principais usinas de enriquecimento em operação. Ainda assim, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não conseguiu confirmar o paradeiro de cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%.
A suspeita é que parte desse material esteja armazenada em túneis subterrâneos em Isfahan. As inspeções foram suspensas, o que impede a verificação. Segundo a AIEA, o estoque total poderia ser suficiente para produzir até 10 bombas, caso seja enriquecido ainda mais.
A Casa Branca afirmou que as operações militares recentes “destruíram instalações nucleares e enfraqueceram a base industrial de defesa do Irã”, dificultando o avanço do programa.
Nos bastidores, no entanto, os EUA avaliam opções mais arriscadas para frear o programa, incluindo operações terrestres para recuperar o urânio armazenado em túneis.
Poucos avanços
União Europeia apresenta texto "final" para retomar acordo nuclear com Irã
24/05/2022 REUTERS/Lisi Niesner
Autoridades americanas repetem que eliminar a capacidade nuclear iraniana é um dos principais objetivos da guerra. “O Irã nunca pode ter uma arma nuclear. Esse é o objetivo”, escreveu o vice-presidente J.D. Vance em março.
De acordo com as fontes ouvidas pela agência Reuters, o foco recente dos Estados Unidos em alvos militares — e não nucleares — ajuda a explicar por que o prazo estimado para a produção de uma arma atômica não mudou.
Analistas também apontam que há poucos alvos nucleares restantes que possam ser atingidos com segurança após os ataques anteriores. Para Eric Brewer, que trabalhou como analista de inteligência no governo americano, isso era esperado.
“O Irã ainda tem todo o material nuclear, até onde sabemos”, disse. “Esse material provavelmente está em instalações subterrâneas profundas, onde armas americanas não conseguem alcançar.”
Especialistas afirmam que medir com precisão o avanço nuclear iraniano é difícil, mesmo para serviços de inteligência.
Há também dúvidas sobre o impacto de ações recentes, como a morte de cientistas nucleares iranianos em operações atribuídas a Israel.
Para o ex-inspetor da ONU David Albright, isso pode ter afetado a capacidade do país.
“Conhecimento não se destrói com bombas, mas o domínio técnico pode ser perdido”, afirmou.
O Irã nega buscar armas nucleares. Segundo os EUA e a AIEA, o país interrompeu um programa de desenvolvimento de ogivas em 2003, embora Israel e alguns especialistas digam que partes importantes do projeto foram mantidas.
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